Elas pediram igualdade salarial Enfrentando o idealismo tradicional E foram engolidas pelas chamas do umbral Da indignação machista e mortal
Elas foram esquecidas no manicômio local Acusadas de descontrole metal Por não aceitar o abuso conjugal E na lobotomia assistiram a decadência final
Elas foram capturadas como um animal Violadas como um ritual De uma luta desigual Manchando de sangue o cendal Que esconde da história o imoral
Seus nomes camuflados de forma trivial Bruxas, loucas, vítimas do conceito social Fragmentos de um passado superficial Fazendo dia 8 de março um Memorial.
A sensibilidade sentimental Do cidadão de bem heterossexual Ao ver no comercial Um casal homossexual
Cospe seu preconceito irracional Se esconde no livro sagrado ancestral Uma pausa na evolução intelectual Com sua falsa moral
A teoria heterossexual convencional É de que se seu filho ver e um personagem eventual Lgbt e com saúde emocional Vai confundir sua sexualidade primordial
A verdade é que todo lgbt atual Já foi uma criança passional No mundo cheio de referência heterossexual Que não transformaram sua sexualidade essencial
A família nacional tradicional Assiste a Novela cheia de intriga boçal Traição, vingança e abuso sexual Com Adolescente como fetiche psicossocial
Brasil é líder no ranking mundial De pesquisas em site imoral De cunho de violência sexual De criança, mulher e até animal
Não é o gay, a lésbica ou o bissexual Que procura conteúdo ilegal No limbo pegajoso virtual Para sentir o prazer carnal
E Se opor ao ensino sexual Só beneficia o abusador em potencial Que vê uma oportunidade especial Em Uma criança que não identifica um toque anormal.
A adolescente chorando no hospital Ouvindo que sua obesidade factual Apenas a cirurgia abdominal Lhe daria o corpo ideal
O foco da chacota presencial e virtual No colégio o isolamento moral Vítima da pressão social Que a faz odiar seu corpo temporal
O sentimento de culpa paradoxal Dieta torturante e desleal Bulimia irracional Depressão numa linha transversal
Dizem que é romantização da obesidade habitual Sua alto estima na lama do umbral Eles a mandam parar de comer como um animal Mesmo quando ela só toma o café matinal
Os vídeos daquela pessoa superficial Cuspindo preconceito visual E no meio desse mundo boçal Ela só quer ficar em paz no seu corpo natural
Ela daria a vida para ser “normal” Ter um corpo socialmente proporcional Caber na catraca e na cadeira artificial Sem ser motivo de humilhação e piada casual.
Ao longo da história a demonizar Na fogueira vivas a queimar Afinal mortos não podem falar E a justiça não podem reivindicar
Esse conceito milenar De que a morte pode justificar A monstruosidade acobertar E a mulher deve se calar
Parasitas a se alimentar De vítimas humilhadas a se calar Não estamos seguras na maca hospitalar Na cama de casa ou no caixão a selar
Bebês no berço a sangrar Depois de seu pai os Violar Nem as de cinco anos vão escapar E a de dez a engravidar
A garota da faculdade a voltar No meio do mato a gritar Com um desconhecido a rasgar Sua pele até seu útero desintegrar
A grávida dando a luz a sedar Sua vulnerabilidade aproveitar Na frente dos colegas a esfregar Seu órgão na boca dela enfiar
No necrotério a esfriar Sua alma já não está Em baixo de um tarado a se esfregar Seu rígido corpo degradar
Vermes a se arrastar Nas entranhas de um país rudimentar Onde os princípio são as minorias atacar Mas a violência horrenda acobertar
O homem preso por abusar Muitos seguidores a ganhar O presidente a imitar Tiros e a violência aclamar
Nos sites imorais a pesquisar Estupro, pedofilia, necrofilia a Ganhar O ranking das pesquisas liderar Milhões de acessos a faturar
O feminismo invalidar Pois é mais fácil justificar Que as mulheres estão a odiar Do que a violência explicar
Somos condicionados a acreditar Que as feministas e os lgbts estão a infiltrar A tradicional família brasileira deturpar Para que os estupros venham a se disfarçar
Ouça as vozes a gritar Almas destruídas a clamar Por entre as chamas dissipar O Eco da consciência que não se pode aguentar
Enquanto fingimos não enxergar Eles fingem não praticar Outros fingem não assistir e desejar E a violência vai aumentar até a sua porta arrombar.
Indicação de música: Leitura: Doce Veneno – Marina Luz, Misael. Reflexão: Quem vai queimar – Pitty