Ecos do luto

O céu ao longe acinzentado
Pensamento ancorado
No mar conturbado
Do passado arraigado

O luto é um demônio equiparado
É frio e também pesado
Sentimento controverso demasiado
Ora livre, ora aprisionado

O amor profundo abandonado
Denso e engavetado
Um retrato inanimado
De um momento sagrado

Um sorriso na estante estampado
A sombra de um forte legado
De alguém que da vida foi exilado
Para nunca mais ser abraçado

Memórias são como fantasmas

Ashira Saiko

Indicação de música: Memórias – Pitty


Uma batalha intensa para despertar
Dos muros espinhosos desvencilhar
Memórias como um demônio assombrar
O presente como uma massa de modelar

Com as lentes do passado a vida observar
O sofrimento profundo evitar
Memórias são como fantasmas no ouvido a assoprar
O que não queres lembrar

A solidão por entre a escuridão do hesitar
As memórias desvencilham do olhar
Para despercebida passar
E para o âmago de uma fortaleza te arrastar

Se submetes a mendigar
A miséria que consegues alcançar
Através de uma portinhola se esgueirar
Sem que os muros de aço possam te esmagar

Quando tentas gritar
Ouvidos não podem te escutar
Olhos não podem te enxergar
Mãos não podem te segurar

Seu próprio cérebro tenta te salvar
Mas um réu da própria dor tende a te transformar.
Sua própria mente a te condenar 
A uma prisão interna e domiciliar.

Karma

Uma lâmpada de Led estourar
Sob o asfalto despedaçar
A cabeça ferida a sangrar
Lágrimas de dor deslizar

A estatística te abraçar
Seu nome em uma lápide cravar
Seu corpo no caixão esfriar
Por apenas existir e sonhar

Mais um clamor a se calar
Mais uma voz a Ocultar
Mais uma alma a se rasgar
Mais uma vida a se findar

Alguém escolhe a morte enfrentar?
Alguém deseja da sociedade não se enquadrar?
Por quê alguém escolheria seu corpo mudar
Se em um alvo vai se transformar?

Alguém escolhe se discriminar?
Por um emprego não poder lutar
A falta de dignidade aceitar
Para viver e não definhar

Todos vão te rejeitar
Desconhecidos vão te julgar
Alguns vão querer te matar
Você deve ser sofrer para a eles agradar

A religião tenta o amor espalhar
Mas muitos usam para se armar
E tentam a todo custo enfiar
Na goela de quem querem esmagar

A ironia é uma linha tênue a costurar
Procedimentos estéticos para disfarçar
Plásticas para seu rosto harmonizar
Mas não aceitam que a trans possa operar

Cuidado ao espelho olhar
E o demônio do preconceito encontrar
Pois o inferno que está a causar
Vai voltar como um karma, para te arrastar.

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Deturpado

Coração muito machucado
Fragmentado e dilacerado
Agressivo demasiado
Rosna equivocado

Estenda sua mão e seja decepado
Arranhado, cuspido e decapitado
Bicho ferido encurralado
Vai te tornar mais um lesado

Ser que sofre aprisionado
Obcecado com o passado
Desconta todo seu sentimento descompensado
No que tenta ajudar com cuidado

Me aproximei de mais sem cuidado
Suas garras em meu peito cravado
Sangue vermelho exacerbado
Que escorre na alma e no peito cansado

A cada dia o mesmo resultado
Ser humano retrógrado estagnado
Age como um animal atribulado
Prova de que a evolução é um estado deturpado

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Supostamente – Bea Duarte

Cabelos cor de chama
Arde e proclama
Ondula e inflama
Canta e declama

Por Lilith Clama
Invoca o poder da dama
Provoca o lado negativo da fama
Transformando em satira o melodrama

Como uma deusa romana
Beleza natural soberana
Alvo da crítica tirana
Incomoda a sociedade leviana

Suportamente é uma plagiadora sacana
Suportamente é uma artista mediana
Suportamente é uma mentirosa insana
Mas supostamente é uma promessa na música latino-americana.

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Cadeado

Coração de acrílico trincado
Peito de vidro despedaçado
A paixão é um sentimento fragmentado
Engolido pela fúria do passado

Talvez um desejo equivocado
Um deslumbre mal interpretado
Um caminho entediado
Ou um ser mal intencionado

Dispertou um sentimento sagrado
Rasgou um gatilho velado
Me lançou para um buraco cavado
Que a muito tenho evitado

A rejeição é um demônio dissimulado
Troca de face em demasiado
Seu rosto frio e debochado
Que tem me assombrado

Talvez eu esteja fadado
Por todos ser rejeitado
Talvez deva tomar cuidado
E colocar em meu peito, um cadeado.

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Saída de Emergência

As vezes a morte vem flertar
Suavemente a flutuar
Nos confusos pensamentos inflamar
Suas intenções frias aconchegar

Seus olhos gelados a encarar
No quarto escuro encurralar
Nas quinas nos móveis se deslizar
Por entre o silêncio se esgueirar

A vida é um fardo pesado a carregar
Entre a lâmina e o fogo se equilíbriar
Sorrisos amarelos para disfarçar
O peito vazio a sangrar

Por dentro um buraco a multiplicar
Por fora uma bolha a sufocar
Muitos estão a lhe cobrar
Poucos conseguem se importar

Pitty sempre a de cantar
Que os pulsos devemos guardar
Para que quando o final chegar
A saída de emergência possa nos salvar

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Saída de Emergência

As vezes a morte vem flertar
Suavemente a flutuar
Nos confusos pensamentos inflamar
Suas intenções frias aconchegar

Seus olhos gelados a encarar
No quarto escuro encurralar
Nas quinas nos móveis deslizar
Por entre o silêncio se esgueirar

A vida é um fardo pesado a carregar
Entre a lâmina e o fogo se equilibrar
Sorrisos amarelos para disfarçar
O peito vazio a sangrar

Por dentro um buraco a multiplicar
Por fora uma bolha a sufocar
Muitos estão a lhe cobrar
Poucos conseguem se importar

Pitty sempre a de cantar
Que os pulsos devemos guardar
Para que quando o final chegar
A saída de emergência possa nos salvar

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Imponente

Dedicado a Jenna Ortega

Uma mulher de muitas faces
Muitos nomes e fases
Muitas vidas e lares
Muitos amores e pares

De mocinha a vilã
Da assassina foi irmã
Fez parte de um pequeno clã
Na esgrima foi campeã

De uma criança fria imprudente
A uma sensível adolescente
Mulher forte e prepotente
A sensual e complacente

Seus olhos cor de avelã
Seus lábios suculentos feito poncã
Covinha na bochecha é um talismã
Suas Sardas atraem como um irmã

Seu sorriso ilumina minha manhã
Seu olhar é o que me mantém Sã
Sua doce voz me faz tua fã
Me aprisiona com Sua energia louçã

Sua essência Latina inerente
Seu talento gritante é iminente
Ativista pertinente
Linda, humana e imponente.

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Epidemia fatal

A solidão é uma Epidemia factual
E a Internet é uma via paradoxal
Centenas te seguem na rede social
Mas ninguém se importa na vida real

Cada um imerso em sua vida material
Sustentado por amizade superficial
Se consolando na utopia irracional
De que o tempo justifica o abandono desleal

Cansado do ser humano boçal
De quem te procura de forma casual
Por interesse pessoal e racional
E depois te renega de forma proposital

Se afastando de forna gradual
Para o insulamento abissal
Engolido pela rejeição social
Até desaparecer em um último suspiro fatal.

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