Deep Fake


A manipulação centenária
Filha da ganância mercenária
Envolve a mente sectária
Da Geração hipócrita e mortuária

Ao longo da história sanguinária
Alguns líderes de seita salafrária
Vestiram a máscara solidária
Escondendo sua intenção bilionária

Enquanto sua seita filária
Se levanta contra uma ilusória adversária
Como uma doença parasitária
Desvia milhões para sua família beneficiária

Barreira na rodovia necessária
Atrapalhando a luta diária
De crianças com câncer e doença hereditária
E de uma grávida com dor torcionária

Clínica de hemodiálise com falta temporária
Material parado na estrada precária
Causando dor desnecessária
Risco de mandar corpos para a funerária

Mas por alguma razão pária
A alienação partidária
Disfarçada de ideia evolucionária
Tirou a humanidade dessa gregária

Enquanto você passa fome e frio na rua intermediária
Sem se importar com a classe doente e operária
Sua admiração imaginária
Se torna uma personalidade multimilionária

Quando a ação revolucionária
Tiver fim pela parte plenipotenciária
Você vai perceber de forma involuntária
Que foi apenas uma peça nessa farsa infantil e orçamentária.

“A partir do momento que você começa a brincar com a vida do outro, se torna um criminoso.”

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Pulsos

O espelho é seu maior rival
Um reflexo superficial
Com olhar negro mortal
Julgamento irracional

No pulso uma linha transversal
Sangue viscoso essencial
Silenciando a dor interna substancial
Um alívio sutil e superficial

A frustração atemporal
O peso da culpa integral
O sintoma do trauma colossal
A vergonha do segredo moral

Descer ao inferno sentimental
No calor da chama paradoxal
Queimando a carne em punição sensorial
De uma vítima ocasional

Transcendendo entre a dor e a inércia existencial
A dor é uma justificativa racional
O fundo do poço é um caminho natural
E a morte é uma saída emergencial

Neste ponto todo mundo parece imparcial
Cada um com sua vida especial
Sem perceber sua descida gradual
Para as garras frias da morte intencional

O sofrimento da realidade passional
Te faz esconder sua dor emocional
Pois acredita ser uma fraqueza irracional
Como um animal esconde a ferida fatal

Não há fraqueza na doença mental
Sua dor é válida e pessoal
Só você conhece os demônios da profundeza abismal
Da sua mente informal

A cicatriz no seu corpo é um grito visceral
Um pedido de ajuda crucial
Não é motivo de vergonha imoral
São marcas de uma guerra intemporal

O suicídio é uma caixa de pandora desleal
Você deseja que sua dor tenha um final
Mas também vai matar de forma brutal
Quem te ama de forma incondicional

Atrás de você há uma linhagem ancestral
Energias de força magistral
Ao seu lado o amor fraternal
Na espiritualidade uma força sobrenatural

A solidão não real
Busque ajuda profissional
Tente achar que não é assim tão mal
Guarde os pulsos para o final

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Aguenta Caladinha


Me atrevo a afundar
No limbo viscoso penetrar
Até conseguir te encontrar
Sobre aquele dia vamos conversar

Quando sua inocência esmagar
O estupro teve de enfrentar
A água quente não pode te limpar
A dor e a humilhação te transformar

Ele disse que ninguém iria acreditar
Afinal uma criança pode com a verdade faltar
Uma adolescente quer a atenção chamar
E uma mulher adulta escolheu na situação se colocar

Seu coração em um cofre trancar
Foi difícil tentar não lembrar
Mesmo quando parecia superar
Os flashs surgiram para te recordar

A ferida parece que não vai cicatrizar
Não deixa ninguém se aproximar
Seu instinto é de se isolar
Para não mais se machucar

Mas você deve parar de se culpar
Nada justifica o que teve de enfrentar
A vergonha e o medo te fazem calar
Mas é agora que deve falar

Não precisa sozinha enfrentar
Não é vergonhoso ter que se expressar
Procure alguém confiável para desabafar
E um terapeuta para te ajudar a lidar

Você não é uma estatística a contar
Ou um segredo a guardar
Quanto mais a vítima se calar
Mais o abusador vai se aproveitar

Você é uma guerreira a enfrentar
Por tantos anos a lutar
Mais forte do que pode imaginar
Mais intensa do que pode sonhar

Ninguém pode mergulhar
Na sua alma para te salvar
Você mesma precisa se arrastar
Para fora desse lugar que não deveria estar

Seu destino é levantar
Apesar do que teve de enfrentar
A culpa, o medo e o passado abandonar
E se permitir libertar

Não reprima sua força milenar
Quando a solidão vier te assolar
Lembre-se do exército de mulheres a marchar
Que o mesmo problema estão a enfrentar.

Ninguém precisa caladinha aguentar
Juntas podemos por justiça buscar
Mesmo que demore a retornar
Um legado de lutadoras vamos deixar

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Asas


No fundo do poço a observar
As estrias das paredes sangrar
Ruídos de demônios a espreitar
A morte nos cantos se arrastar

As trevas me abraçar
O silêncio profundo me atravessar
Meus pés na lama atolar
O peso do mundo me esmagar

A dor visceral me calar
A maldição me condenar
O ódio meu coração pulsar
Como Antolhos a me cegar

O cansaço fez meu corpo se inclinar
Meus joelhos se dobrar
Minhas mãos no barro penetrar
Uma voz ao longe a sussurrar

“Bem vinda ao fundo do poço milenar
Daqui não vais mais afundar
Só tem um jeito de se salvar
É para cima escalar.”

Levei para cima meu olhar
Através da tampa vi o luar
Quando o medo parei de escutar
Descobri que tinha asas e sabia voar.

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Ser quem você é

Do berço social a berrar
Almas tentam se encaixar
Em preceitos retrógrados velar
Essência esfarelar

O não pertencimento assombrar
Como se no mundo estamos a sobrar
Nenhuma tribo ou religião encontrar
O sentido da vida almejar

A tristeza é a face fria do julgar
Não ser aceito é a sombra do pesar
Não importa o quanto tente se adaptar
Isso não vai mudar

A sabedoria milenar
Os nomes na história a cravar
Os maiores legados a se admirar
Renegados do conceito social a condenar

A vida nem sempre é fácil de se enfrentar
Fraqueza não é sinônimo de chorar
Lágrimas dão forças para lutar
Não tem nada de errado em ser quem você é e sonhar.

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Estamos Morrendo

Na cama do hospital gemendo
No banco do ônibus sofrendo
Na cadeira do escritório se perdendo
O tempo excedendo

Das próprias vontades se abstendo
Seu tempo precioso vendendo
Para um emprego horrendo
Sua vida dissolvendo

Os próprios limites transcendendo
A saúde se corrompendo
Na esperança do amanhã florescendo
E os sonhos em realidade se convertendo

Da mortalidade correndo
A cada dia esquecendo
Que enquanto estamos nascendo
Também estamos morrendo

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Corpo Sem Vida

As gotas de sangue a deslizar
Sob o asfalto a desenhar
A dor do corpo a agonizar
E a alma desintegrar

Seu erro foi apenas amar
Um futuro de paz esperar
Na esperança da igualdade alcançar
E nunca mais sofrer e chorar

Foi pego na rua a caminhar
Com golpes e facas sua carne rasgar
Sob os punhos e lâminas a suplicar
Para ser livre e para casa voltar

Sua dor não se importaram em validar
Sua voz fingiram não escutar
Agora fingem se importar
Sob seu corpo sem vida a repousar.

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8 de março

Elas pediram igualdade salarial
Enfrentando o idealismo tradicional
E foram engolidas pelas chamas do umbral
Da indignação machista e mortal

Elas foram esquecidas no manicômio local
Acusadas de descontrole metal
Por não aceitar o abuso conjugal
E na lobotomia assistiram a decadência final

Elas foram capturadas como um animal
Violadas como um ritual De uma luta desigual
Manchando de sangue o cendal
Que esconde da história o imoral

Seus nomes camuflados de forma trivial
Bruxas, loucas, vítimas do conceito social
Fragmentos de um passado superficial
Fazendo dia 8 de março um Memorial.

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Almas da Inquisição

Você a ouve bradar
No silêncio da noite clamar
Nos pés da lua a queimar
No fogo da inquisição desmanchar

A viúva sem um lar
A mulher que não aceitou se curvar
A sábia que usa o chá para curar
O corpo que não conseguiu se adequar

Eles a levaram para torturar
Com lâminas sua carne a cortar
Seu sangue fez derramar
Até assumir a culpa para tentar se salvar

A levaram para em um poste amarrar
A lenha sobre seus pés inflamar
O medo e a dor tem que aguentar
Para sua alma enfim libertar.

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A Escuridão

Na escuridão da noite a soluçar
A sombra se inclina a me tocar
Seus braços frios a me abraçar
Suas mãos densas a me atravessar

Minha alma cansada acorrentar
Nas paredes desgastadas do pesar
O Sussurro do meu espírito ecoar
No quarto escuro se arrastar

Minhas lágrimas tentam disfarçar
Meu olhar perdido a vagar
Por entre os meus cacos deslizar
Uma Fresta de luz a procurar

Meu peito queima a silenciar
Minha voz desaparece pelo ar
Minha mente confusa a instigar
Das garras da vida se desvencilhar

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