Karma

Uma lâmpada de Led estourar
Sob o asfalto despedaçar
A cabeça ferida a sangrar
Lágrimas de dor deslizar

A estatística te abraçar
Seu nome em uma lápide cravar
Seu corpo no caixão esfriar
Por apenas existir e sonhar

Mais um clamor a se calar
Mais uma voz a Ocultar
Mais uma alma a se rasgar
Mais uma vida a se findar

Alguém escolhe a morte enfrentar?
Alguém deseja da sociedade não se enquadrar?
Por quê alguém escolheria seu corpo mudar
Se em um alvo vai se transformar?

Alguém escolhe se discriminar?
Por um emprego não poder lutar
A falta de dignidade aceitar
Para viver e não definhar

Todos vão te rejeitar
Desconhecidos vão te julgar
Alguns vão querer te matar
Você deve ser sofrer para a eles agradar

A religião tenta o amor espalhar
Mas muitos usam para se armar
E tentam a todo custo enfiar
Na goela de quem querem esmagar

A ironia é uma linha tênue a costurar
Procedimentos estéticos para disfarçar
Plásticas para seu rosto harmonizar
Mas não aceitam que a trans possa operar

Cuidado ao espelho olhar
E o demônio do preconceito encontrar
Pois o inferno que está a causar
Vai voltar como um karma, para te arrastar.

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Preço da paz


Tanque de guerra atropelando
A terra seca levantando
A bala quente perfurando
O corpo humano desmanchando

Cidade amada por Deus
Que hoje esqueceu os seus
Gentios e judeus
Partindo sem um adeus

Tortura profunda e prolongada
Pele vermelha rasgada
Carne fria fatiada
Vala comum assentada

Clamor dolorido abafado
Corpo morto descartado
No campo de guerra lançado
Como um animal desrespeitado

Por quanto tempo isso vai durar?
Quantos inocentes vão pagar?
Quantos corpos eles querem mais
Para que possamos alcançar a paz.

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Justiça Lucas Terra

Fonte
FONTE

Uma seita Disfarçada de religião
Pastores na fé e na transgressão
Fanatismo se mistura com a manipulação
Fiéis transcendem a ilusão

É uma verdadeira facção
Seu maior pecado é a ambição
Sua arma é a alienação
Sua desculpa é a redenção

Se alimentam da dor e da submissão
Prometem prosperidade e salvação
Mas se não tiver sua devoção
A retaliação é a possessão

Perversão Oculta pela adoração
Psicopatas com o terno da discrição
Torturas físicas, mentais e corrupção
A sombra da Cruz da remissão

Lucas foi traído por sua fé e submissão
Violentado por recreação
Morto no templo da compaixão
E seu corpo foi queimado para dissolução

A igreja perdoou essa transgressão
Afinal, eles não tiveram a intenção
Advogados limparam a reputação
Da igreja e de cada pastor fanfarrão

Depois de 22 anos de superação
A família Terra levou a oposição
Para o tribunal de subversão
Empurrando os Pastores para a condenação

Lucas e seu pai finalmente descansarão
Marion viu a justiça e a resolução
Que esse caso sirva de inspiração
Para uma profunda e necessária investigação.

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Diabo De Blumenau

Sangue inocente e jovial
Deslizando na lâmina de metal
Da machadinha usual
Nas mãos do demônio fatal

Gargalhada rasgada e letal
Olhar obscuro e rocal
Coração frio sem sinal vital
A carta na manga é a doença mental

Quatro famílias e um único funeral
Outras quatro em vigília no hospital
E ainda sobrou uma mãe
Com visitas no sistema prisional

É só um jogo casual
Com cinco mortes no final
E uma prisão eventual
Para a notoriedade mundial

Ele quer seu rosto no jornal
Seu nome na mídia social
A fama cruel e penal
De um monstro na pele animal

A Internet é uma linha vertical
Tênue entre o aceitável e o ilegal
Uma brincadeira boçal
Pode se transformar em uma tragédia surreal

É de acrílico a máscara moral
Todos podem cometer um crime brutal
O demônio se esconde no sorriso casual
Deita e rola na inocência carnal

Dedique um tempo a paternidade ideal
Pois sua atenção pode ser cabal
Para que seu filho ileal
Não se torne o diabo de Blumenau

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Pulsos

O espelho é seu maior rival
Um reflexo superficial
Com olhar negro mortal
Julgamento irracional

No pulso uma linha transversal
Sangue viscoso essencial
Silenciando a dor interna substancial
Um alívio sutil e superficial

A frustração atemporal
O peso da culpa integral
O sintoma do trauma colossal
A vergonha do segredo moral

Descer ao inferno sentimental
No calor da chama paradoxal
Queimando a carne em punição sensorial
De uma vítima ocasional

Transcendendo entre a dor e a inércia existencial
A dor é uma justificativa racional
O fundo do poço é um caminho natural
E a morte é uma saída emergencial

Neste ponto todo mundo parece imparcial
Cada um com sua vida especial
Sem perceber sua descida gradual
Para as garras frias da morte intencional

O sofrimento da realidade passional
Te faz esconder sua dor emocional
Pois acredita ser uma fraqueza irracional
Como um animal esconde a ferida fatal

Não há fraqueza na doença mental
Sua dor é válida e pessoal
Só você conhece os demônios da profundeza abismal
Da sua mente informal

A cicatriz no seu corpo é um grito visceral
Um pedido de ajuda crucial
Não é motivo de vergonha imoral
São marcas de uma guerra intemporal

O suicídio é uma caixa de pandora desleal
Você deseja que sua dor tenha um final
Mas também vai matar de forma brutal
Quem te ama de forma incondicional

Atrás de você há uma linhagem ancestral
Energias de força magistral
Ao seu lado o amor fraternal
Na espiritualidade uma força sobrenatural

A solidão não real
Busque ajuda profissional
Tente achar que não é assim tão mal
Guarde os pulsos para o final

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Respeita as minas Porra

O pornô cada vez mais violento
As idades só vai descendo
O prazer na falta de consentimento
A força bruta no tratamento

Corda, sangue e grito de dor
Tortura sem nenhum pudor
Quanto mais infesa a vítima for
Maior será o prazer e o torpor

Esse vício é como a areia movediça
Vai puxando pra baixo enquanto atiça
Afundando no limbo da podridão
Uma epidemia Oculta na multidão

O estupro é o primeiro no ranking mundial
Em site de cunho imoral
Uma hora a tela deixa de dar prazer
E apenas um corpo quente pode satisfazer

E a culpa é sua se for abusada
Ninguém mandou nascer mulher e ser sexualizada
O homem é fraco sexualmente
Que não consegue segurar o impulso da mente

A tradicional família brasileira
É só uma hipocrisia Corriqueira
Esconde um monstro sexual
E culpa a mulher pelo crime imoral

Não ouse sair de casa sem estar maquiada
É falta de higiene não estar depilada
Seja doce e comportada
Pareça inocente e infantilizada

Afinal, qual o prazer de uma caça
Se a vítima for forte e sem graça
A mulher é criada pra ser vitimizada
Para aceitar a violência calada

Não importa se for criança, adulta ou idosa
Algum fetiche vai torná-la gostosa
Até aquela que já esta morta
É objeto de prazer para uma mente torta

E ai dela se quiser abortar
Se o filho do monstro não quiser criar
E se der para a adoção então
Vai ser massacrada pela multidão

O único beneficiado é o agressor
Vive livre como um obsessor
Pois sabe que a vítima será desacreditada
E por muitos será destratada

Ele não quer educação sexual na escola
Pois a criança saberá o que a viola
Será a ruína de seu reinado
Para ver o sol nascer quadrado

Um estupro a cada 10 minutos
É uma epidemia de monstros astutos
84% cometido por familiar ou conhecido
Alguém de confiança que passa despercebido

Não são os gays que destroem nossas crianças
São homens de bem e suas crenças
Demônio não tem cara de demônio
Usam Máscara de cordeiro no silencioso pandemônio

Fingir que isso não acontece é apologia
Culpar a vítima é falta de empatia
Desacreditar a criança é negligência
Se calar é condescendência

Eles jogam a sociedade contra a minoria
Tornando o preconceito uma terrível mania
Deturpada com pseudos princípios
Armando ainda mais os maníacos

É tudo parte de um jogo forjado
Para manter todo mundo ocupado
Defendendo um ideal implantado
Enquanto o sádico se aproveita infiltrado

Não seja mais um manipulado alienado
Veja o que está oculto no princípio retrógrado
E não importa o que ocorra
Respeita as minas, Porra

https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/dia-das-mulheres/noticia/2022/03/07/brasil-teve-um-estupro-a-cada-10-minutos-e-um-feminicidio-a-cada-7-horas-em-2021.ghtml

https://www.ufrgs.br/humanista/2020/12/17/cultura-do-estupro-85-das-vitimas-no-brasil-sao-mulheres-e-70-dos-casos-envolvem-criancas-ou-vulneraveis/

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Aguenta Caladinha


Me atrevo a afundar
No limbo viscoso penetrar
Até conseguir te encontrar
Sobre aquele dia vamos conversar

Quando sua inocência esmagar
O estupro teve de enfrentar
A água quente não pode te limpar
A dor e a humilhação te transformar

Ele disse que ninguém iria acreditar
Afinal uma criança pode com a verdade faltar
Uma adolescente quer a atenção chamar
E uma mulher adulta escolheu na situação se colocar

Seu coração em um cofre trancar
Foi difícil tentar não lembrar
Mesmo quando parecia superar
Os flashs surgiram para te recordar

A ferida parece que não vai cicatrizar
Não deixa ninguém se aproximar
Seu instinto é de se isolar
Para não mais se machucar

Mas você deve parar de se culpar
Nada justifica o que teve de enfrentar
A vergonha e o medo te fazem calar
Mas é agora que deve falar

Não precisa sozinha enfrentar
Não é vergonhoso ter que se expressar
Procure alguém confiável para desabafar
E um terapeuta para te ajudar a lidar

Você não é uma estatística a contar
Ou um segredo a guardar
Quanto mais a vítima se calar
Mais o abusador vai se aproveitar

Você é uma guerreira a enfrentar
Por tantos anos a lutar
Mais forte do que pode imaginar
Mais intensa do que pode sonhar

Ninguém pode mergulhar
Na sua alma para te salvar
Você mesma precisa se arrastar
Para fora desse lugar que não deveria estar

Seu destino é levantar
Apesar do que teve de enfrentar
A culpa, o medo e o passado abandonar
E se permitir libertar

Não reprima sua força milenar
Quando a solidão vier te assolar
Lembre-se do exército de mulheres a marchar
Que o mesmo problema estão a enfrentar.

Ninguém precisa caladinha aguentar
Juntas podemos por justiça buscar
Mesmo que demore a retornar
Um legado de lutadoras vamos deixar

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Asas


No fundo do poço a observar
As estrias das paredes sangrar
Ruídos de demônios a espreitar
A morte nos cantos se arrastar

As trevas me abraçar
O silêncio profundo me atravessar
Meus pés na lama atolar
O peso do mundo me esmagar

A dor visceral me calar
A maldição me condenar
O ódio meu coração pulsar
Como Antolhos a me cegar

O cansaço fez meu corpo se inclinar
Meus joelhos se dobrar
Minhas mãos no barro penetrar
Uma voz ao longe a sussurrar

“Bem vinda ao fundo do poço milenar
Daqui não vais mais afundar
Só tem um jeito de se salvar
É para cima escalar.”

Levei para cima meu olhar
Através da tampa vi o luar
Quando o medo parei de escutar
Descobri que tinha asas e sabia voar.

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Estamos Morrendo

Na cama do hospital gemendo
No banco do ônibus sofrendo
Na cadeira do escritório se perdendo
O tempo excedendo

Das próprias vontades se abstendo
Seu tempo precioso vendendo
Para um emprego horrendo
Sua vida dissolvendo

Os próprios limites transcendendo
A saúde se corrompendo
Na esperança do amanhã florescendo
E os sonhos em realidade se convertendo

Da mortalidade correndo
A cada dia esquecendo
Que enquanto estamos nascendo
Também estamos morrendo

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Corpo Sem Vida

As gotas de sangue a deslizar
Sob o asfalto a desenhar
A dor do corpo a agonizar
E a alma desintegrar

Seu erro foi apenas amar
Um futuro de paz esperar
Na esperança da igualdade alcançar
E nunca mais sofrer e chorar

Foi pego na rua a caminhar
Com golpes e facas sua carne rasgar
Sob os punhos e lâminas a suplicar
Para ser livre e para casa voltar

Sua dor não se importaram em validar
Sua voz fingiram não escutar
Agora fingem se importar
Sob seu corpo sem vida a repousar.

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