Do berço social a berrar Almas tentam se encaixar Em preceitos retrógrados velar Essência esfarelar
O não pertencimento assombrar Como se no mundo estamos a sobrar Nenhuma tribo ou religião encontrar O sentido da vida almejar
A tristeza é a face fria do julgar Não ser aceito é a sombra do pesar Não importa o quanto tente se adaptar Isso não vai mudar
A sabedoria milenar Os nomes na história a cravar Os maiores legados a se admirar Renegados do conceito social a condenar
A vida nem sempre é fácil de se enfrentar Fraqueza não é sinônimo de chorar Lágrimas dão forças para lutar Não tem nada de errado em ser quem você é e sonhar.
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Elas pediram igualdade salarial Enfrentando o idealismo tradicional E foram engolidas pelas chamas do umbral Da indignação machista e mortal
Elas foram esquecidas no manicômio local Acusadas de descontrole metal Por não aceitar o abuso conjugal E na lobotomia assistiram a decadência final
Elas foram capturadas como um animal Violadas como um ritual De uma luta desigual Manchando de sangue o cendal Que esconde da história o imoral
Seus nomes camuflados de forma trivial Bruxas, loucas, vítimas do conceito social Fragmentos de um passado superficial Fazendo dia 8 de março um Memorial.
A adolescente chorando no hospital Ouvindo que sua obesidade factual Apenas a cirurgia abdominal Lhe daria o corpo ideal
O foco da chacota presencial e virtual No colégio o isolamento moral Vítima da pressão social Que a faz odiar seu corpo temporal
O sentimento de culpa paradoxal Dieta torturante e desleal Bulimia irracional Depressão numa linha transversal
Dizem que é romantização da obesidade habitual Sua alto estima na lama do umbral Eles a mandam parar de comer como um animal Mesmo quando ela só toma o café matinal
Os vídeos daquela pessoa superficial Cuspindo preconceito visual E no meio desse mundo boçal Ela só quer ficar em paz no seu corpo natural
Ela daria a vida para ser “normal” Ter um corpo socialmente proporcional Caber na catraca e na cadeira artificial Sem ser motivo de humilhação e piada casual.
Ao longo da história a demonizar Na fogueira vivas a queimar Afinal mortos não podem falar E a justiça não podem reivindicar
Esse conceito milenar De que a morte pode justificar A monstruosidade acobertar E a mulher deve se calar
Parasitas a se alimentar De vítimas humilhadas a se calar Não estamos seguras na maca hospitalar Na cama de casa ou no caixão a selar
Bebês no berço a sangrar Depois de seu pai os Violar Nem as de cinco anos vão escapar E a de dez a engravidar
A garota da faculdade a voltar No meio do mato a gritar Com um desconhecido a rasgar Sua pele até seu útero desintegrar
A grávida dando a luz a sedar Sua vulnerabilidade aproveitar Na frente dos colegas a esfregar Seu órgão na boca dela enfiar
No necrotério a esfriar Sua alma já não está Em baixo de um tarado a se esfregar Seu rígido corpo degradar
Vermes a se arrastar Nas entranhas de um país rudimentar Onde os princípio são as minorias atacar Mas a violência horrenda acobertar
O homem preso por abusar Muitos seguidores a ganhar O presidente a imitar Tiros e a violência aclamar
Nos sites imorais a pesquisar Estupro, pedofilia, necrofilia a Ganhar O ranking das pesquisas liderar Milhões de acessos a faturar
O feminismo invalidar Pois é mais fácil justificar Que as mulheres estão a odiar Do que a violência explicar
Somos condicionados a acreditar Que as feministas e os lgbts estão a infiltrar A tradicional família brasileira deturpar Para que os estupros venham a se disfarçar
Ouça as vozes a gritar Almas destruídas a clamar Por entre as chamas dissipar O Eco da consciência que não se pode aguentar
Enquanto fingimos não enxergar Eles fingem não praticar Outros fingem não assistir e desejar E a violência vai aumentar até a sua porta arrombar.
Indicação de música: Leitura: Doce Veneno – Marina Luz, Misael. Reflexão: Quem vai queimar – Pitty