Ser quem você é

Do berço social a berrar
Almas tentam se encaixar
Em preceitos retrógrados velar
Essência esfarelar

O não pertencimento assombrar
Como se no mundo estamos a sobrar
Nenhuma tribo ou religião encontrar
O sentido da vida almejar

A tristeza é a face fria do julgar
Não ser aceito é a sombra do pesar
Não importa o quanto tente se adaptar
Isso não vai mudar

A sabedoria milenar
Os nomes na história a cravar
Os maiores legados a se admirar
Renegados do conceito social a condenar

A vida nem sempre é fácil de se enfrentar
Fraqueza não é sinônimo de chorar
Lágrimas dão forças para lutar
Não tem nada de errado em ser quem você é e sonhar.

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Olho do furacão

A doença mental
É como a fúria do Vendaval
Vento circular unilateral
Arrancando a raiz do irracional

As telhas voam com o sopro brutal
Girando sob sua cabeça dissocial
Paredes dissolvem de forma gradual
Diante de seu olhar passional

No centro de uma cabana paradoxal
Madeira velha superficial
Protege o vazio existencial
Mas estremece a estabilidade emocional

A calmaria ocasional
Do olho do furacão colossal
Não trás o alívio sentimental
Pois é precursora da destruição visceral

Atrás de um sorriso cordial
De uma personalidade artificial
Uma alma abissal
Teme o próximo vendaval

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Sweet dreams / Doce Sonhos

O trauma é um traço tênue em espessura
Entre a sanidade e a loucura
Uma sala vazia e escura
Atrás de um olhar de ternura

Sorriso desenhado como uma pintura
Quadro sangrento em uma bonita moldura
Personalidade formada em tortura
Fria como uma escultura

A mente que um dia foi pura
Transcendendo para uma pseudo realidade segura
Onde observa a altura
Sua alma resistindo com bravura

Mãos atadas em ligadura
Boca selada com atadura
Correntes apertadas a cintura
Alma dolorida e insegura

O mundo da imaginação é sua ruptura
A fuga da realidade dura
Para vestir sua armadura
E ser uma guerreira em cenários de aventura

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Titok @ashira_saiko

Quem vai queimar?


Ao longo da história a demonizar
Na fogueira vivas a queimar
Afinal mortos não podem falar
E a justiça não podem reivindicar

Esse conceito milenar
De que a morte pode justificar
A monstruosidade acobertar
E a mulher deve se calar

Parasitas a se alimentar
De vítimas humilhadas a se calar
Não estamos seguras na maca hospitalar
Na cama de casa ou no caixão a selar

Bebês no berço a sangrar
Depois de seu pai os Violar
Nem as de cinco anos vão escapar
E a de dez a engravidar

A garota da faculdade a voltar
No meio do mato a gritar
Com um desconhecido a rasgar
Sua pele até seu útero desintegrar

A grávida dando a luz a sedar
Sua vulnerabilidade aproveitar
Na frente dos colegas a esfregar
Seu órgão na boca dela enfiar

No necrotério a esfriar 
Sua alma já não está
Em baixo de um tarado a se esfregar
Seu rígido corpo degradar

Vermes a se arrastar
Nas entranhas de um país rudimentar
Onde os princípio são as minorias atacar
Mas a violência horrenda acobertar

O homem preso por abusar
Muitos seguidores a ganhar
O presidente a imitar
Tiros e a violência aclamar

Nos sites imorais a pesquisar
Estupro, pedofilia, necrofilia a Ganhar
O ranking das pesquisas liderar
Milhões de acessos a faturar

O feminismo invalidar
Pois é mais fácil justificar
Que as mulheres estão a odiar
Do que a violência explicar

Somos condicionados a acreditar
Que as feministas e os lgbts estão a infiltrar
A tradicional família brasileira deturpar
Para que os estupros venham a se disfarçar

Ouça as vozes a gritar
Almas destruídas a clamar
Por entre as chamas dissipar
O Eco da consciência que não se pode aguentar

Enquanto fingimos não enxergar
Eles fingem não praticar
Outros fingem não assistir e desejar
E a violência vai aumentar até a sua porta arrombar.

Indicação de música:
Leitura: Doce Veneno – Marina Luz, Misael.
Reflexão: Quem vai queimar – Pitty

Atriz Premiada


Necrófago a espreitada
Sente o odor da cilada
Verme que rasga a víscera gelada
De uma carcaça dilacerada

Colunista com a câmera ligada
Destilando seu veneno em rajada
Rastejando sua Pele escamada
Nas entranhas de uma alma humilhada

Ela não é apenas uma atriz premiada
Também é uma mulher violentada
Teve sua alma rasgada
E sua integridade questionada

A dor do trauma foi condicionada
Do Fruto da violência abdicada
Porém continua a ser violada
Pois sua vida privada não é respeitada

É só uma criança

No túnel do tempo a entrar
Descalça na rua a caminhar
Os joelhos sangrando a ralar
Pique esconde para brincar

A corda na rua estalar
Com uma cantiga a embalar
Saltos com rimas a mergulhar
E o suor em risadas transformar

Aos 11 anos você queria transar?
Ver sua inocência esmagar
Por que ela tem que pagar
O trauma do abuso suportar

A gravidez e a dor do parto
enfrentar
A solidão e o medo a cercar
Mas ela é só uma criança a chorar
Que nos braços da mãe queria estar

Recomendação de música: Eco – Jade Baraldo