Arrependimento


Ela estudou muito para se formar
Uma médica se tornar
Vestir o escudo branco para guerrear
E das garras da morte as almas tirar

Mas os óbitos surgiram para confrontar
Seu desejo insaciável de curar
Até a insuficiência a abraçar
Fazendo seu coração sangrar

Um dia ela teve de olhar
Para os casos terminais e assimilar
Que apesar de muito lutar
Somos finitos e o túmulo está a nos aguardar

Decidiu com cuidado paliativo trabalhar
E descobriu a sabedoria milenar
Que o maior arrependimento que a de predominar
É de não nos aceitar e nossa essência negar

Outra Chance

O cano da pistola apoiar
No topo da cabeça a hesitar
Seus olhos vermelhos a lacrimejar
Sua mente confusa se calar

Seu dedo no gatilho deslizar
A explosão da arma a disparar
Um buraco no crânio a se formar
A morte enfim veio o visitar

Com seus braços frios o abraçar
Em seu ouvido sussurrar
“Seu destino é no túmulo repousar 
Mas hoje te dei outra chance para amar”

Na cama do hospital despertar
O calor humano o confortar
E o sentido da vida enfim encontrar
No rosto dos seus amores a deslumbrar

Nossos corpos

Nossos corpos dançam Na batida do amor
Nossa pele queima com o fervor
Minha língua desce sentindo o sabor
Você se derrama como licor

Seu corpo exala odor de flor
Sua boca me traz o temor
Seus olhos são meu fulgor
Seu corpo arrepia com tremor

Seu gemido como clamor
Desejando meu fogo sem pudor
Com seu jeitinho sedutor
E esse sorriso tentador

Me ame com vigor
Me devore com ardor
Seja meu primor 
Mas não me deixe por favor.

Corpo Sem Vida

Fonte da imagem

As gotas de sangue a deslizar
Sob o asfalto a desenhar
A dor do corpo a agonizar
E a alma desintegrar

Seu erro foi apenas amar
Um futuro de paz esperar
Na esperança da igualdade alcançar
E nunca mais sofrer e chorar

Foi pego na rua a caminhar
Com golpes e facas sua carne rasgar
Sob os punhos e lâminas a suplicar
Para ser livre e para casa voltar

Sua dor não quiseram validar
Sua voz fingiram não escutar
Agora fingem se importar
Sob seu corpo sem vida a repousar.

Vida

A vida é o que acontece entre as cordas do violão
Entre as notas de uma canção
Entre as batidas do coração
Entre os suspiros de uma paixão


É olhar para o passado com compaixão
Ter no futuro uma convicção
Viver o presente com dedicação
E fazer das falhas uma reflexão


É aceitar o amor com gratidão
E o pesar com compreensão
Esquivar se da admoestação
Fazer de si uma inspiração


É equilibrar se na percepção
De que Um momento de Tribulação
Bem como de gratificação
É apenas questão de interpretação.

Inferno visceral

Acorrentado como um animal
Na ilusão de uma liberdade condicional
Projetando uma redoma superficial
Afundando em um emaranhado emocional

O conceito social transversal
Penetrando a rachadura atemporal
De uma mente passional
Rastejando na lama do umbral

Condenação com pena capital
A morte lenta e surreal
Sua alma mastigada por um canibal
Que se esconde na confusão mental

Seu corpo aparentemente integral
Oculta o inferno visceral
Por entre as linhas do sorriso social
Que se perde no predominante olhar imparcial