Ser quem você é

Do berço social a berrar
Almas tentam se encaixar
Em preceitos retrógrados velar
Essência esfarelar

O não pertencimento assombrar
Como se no mundo estamos a sobrar
Nenhuma tribo ou religião encontrar
O sentido da vida almejar

A tristeza é a face fria do julgar
Não ser aceito é a sombra do pesar
Não importa o quanto tente se adaptar
Isso não vai mudar

A sabedoria milenar
Os nomes na história a cravar
Os maiores legados a se admirar
Renegados do conceito social a condenar

A vida nem sempre é fácil de se enfrentar
Fraqueza não é sinônimo de chorar
Lágrimas dão forças para lutar
Não tem nada de errado em ser quem você é e sonhar.

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Olho do furacão

A doença mental
É como a fúria do Vendaval
Vento circular unilateral
Arrancando a raiz do irracional

As telhas voam com o sopro brutal
Girando sob sua cabeça dissocial
Paredes dissolvem de forma gradual
Diante de seu olhar passional

No centro de uma cabana paradoxal
Madeira velha superficial
Protege o vazio existencial
Mas estremece a estabilidade emocional

A calmaria ocasional
Do olho do furacão colossal
Não trás o alívio sentimental
Pois é precursora da destruição visceral

Atrás de um sorriso cordial
De uma personalidade artificial
Uma alma abissal
Teme o próximo vendaval

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Estamos Morrendo

Na cama do hospital gemendo
No banco do ônibus sofrendo
Na cadeira do escritório se perdendo
O tempo excedendo

Das próprias vontades se abstendo
Seu tempo precioso vendendo
Para um emprego horrendo
Sua vida dissolvendo

Os próprios limites transcendendo
A saúde se corrompendo
Na esperança do amanhã florescendo
E os sonhos em realidade se convertendo

Da mortalidade correndo
A cada dia esquecendo
Que enquanto estamos nascendo
Também estamos morrendo

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Corpo Sem Vida

As gotas de sangue a deslizar
Sob o asfalto a desenhar
A dor do corpo a agonizar
E a alma desintegrar

Seu erro foi apenas amar
Um futuro de paz esperar
Na esperança da igualdade alcançar
E nunca mais sofrer e chorar

Foi pego na rua a caminhar
Com golpes e facas sua carne rasgar
Sob os punhos e lâminas a suplicar
Para ser livre e para casa voltar

Sua dor não se importaram em validar
Sua voz fingiram não escutar
Agora fingem se importar
Sob seu corpo sem vida a repousar.

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8 de março

Elas pediram igualdade salarial
Enfrentando o idealismo tradicional
E foram engolidas pelas chamas do umbral
Da indignação machista e mortal

Elas foram esquecidas no manicômio local
Acusadas de descontrole metal
Por não aceitar o abuso conjugal
E na lobotomia assistiram a decadência final

Elas foram capturadas como um animal
Violadas como um ritual De uma luta desigual
Manchando de sangue o cendal
Que esconde da história o imoral

Seus nomes camuflados de forma trivial
Bruxas, loucas, vítimas do conceito social
Fragmentos de um passado superficial
Fazendo dia 8 de março um Memorial.

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Almas da Inquisição

Você a ouve bradar
No silêncio da noite clamar
Nos pés da lua a queimar
No fogo da inquisição desmanchar

A viúva sem um lar
A mulher que não aceitou se curvar
A sábia que usa o chá para curar
O corpo que não conseguiu se adequar

Eles a levaram para torturar
Com lâminas sua carne a cortar
Seu sangue fez derramar
Até assumir a culpa para tentar se salvar

A levaram para em um poste amarrar
A lenha sobre seus pés inflamar
O medo e a dor tem que aguentar
Para sua alma enfim libertar.

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A Escuridão

Na escuridão da noite a soluçar
A sombra se inclina a me tocar
Seus braços frios a me abraçar
Suas mãos densas a me atravessar

Minha alma cansada acorrentar
Nas paredes desgastadas do pesar
O Sussurro do meu espírito ecoar
No quarto escuro se arrastar

Minhas lágrimas tentam disfarçar
Meu olhar perdido a vagar
Por entre os meus cacos deslizar
Uma Fresta de luz a procurar

Meu peito queima a silenciar
Minha voz desaparece pelo ar
Minha mente confusa a instigar
Das garras da vida se desvencilhar

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Aceita a cura ou Surta

A sensibilidade sentimental
Do cidadão de bem heterossexual
Ao ver no comercial
Um casal homossexual

Cospe seu preconceito irracional
Se esconde no livro sagrado ancestral
Uma pausa na evolução intelectual
Com sua falsa moral

A teoria heterossexual convencional
É de que se seu filho ver e um personagem eventual
Lgbt e com saúde emocional
Vai confundir sua sexualidade primordial

A verdade é que todo lgbt atual
Já foi uma criança passional
No mundo cheio de referência heterossexual
Que não transformaram sua sexualidade essencial

A família nacional tradicional
Assiste a Novela cheia de intriga boçal
Traição, vingança e abuso sexual
Com Adolescente como fetiche psicossocial

Brasil é líder no ranking mundial
De pesquisas em site imoral
De cunho de violência sexual
De criança, mulher e até animal

Não é o gay, a lésbica ou o bissexual
Que procura conteúdo ilegal
No limbo pegajoso virtual
Para sentir o prazer carnal 

E Se opor ao ensino sexual
Só beneficia o abusador em potencial
Que vê uma oportunidade especial
Em Uma criança que não identifica um toque anormal.

Sweet dreams / Doce Sonhos

O trauma é um traço tênue em espessura
Entre a sanidade e a loucura
Uma sala vazia e escura
Atrás de um olhar de ternura

Sorriso desenhado como uma pintura
Quadro sangrento em uma bonita moldura
Personalidade formada em tortura
Fria como uma escultura

A mente que um dia foi pura
Transcendendo para uma pseudo realidade segura
Onde observa a altura
Sua alma resistindo com bravura

Mãos atadas em ligadura
Boca selada com atadura
Correntes apertadas a cintura
Alma dolorida e insegura

O mundo da imaginação é sua ruptura
A fuga da realidade dura
Para vestir sua armadura
E ser uma guerreira em cenários de aventura

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Cota não é esmola


Neta da injustiça social
Tem o sangue da luta racial
Pele cor de obsidiana essencial
Cabelo afro natural

O preconceito é seu inimigo atemporal
Na escola a chacota banal
Na universidade a minoria eventual
No emprego a cota funcional

Sua beleza sensacional
Copiada por procedimento artificial
Ocultada na ilusão comercial
De que não há espaço no campo profissional

Foco do fetiche e desejo imoral
Taxada como desleal
Por sua pele preta multirracial
Resquícios da mente machista feudal

Vítima de violência conceitual
Da face branca do preconceito nacional
Do desprezo governamental
Da pobreza condicional

Sua força visceral
Sua luta incondicional
Sua fé sobrenatural
Que enfrenta a intolerância religiosa insocial 

Pilar da resistência sociocultural
Herdeira da guerra Ancestral
Batalhando pela igualdade racial
Que é um direito judicial.