Feminicídio


Ela tinha sonhos e desejos
Tinha Amigos e beijos
Gostava de pizza e muitos queijos
Pintou de rosa os azulejos
 
Desviava dos cortejos
Mas um homem entre os sertanejos
Lhe deu sensações de latejos
Mergulhando em gracejos

Aquele chame com molejos
Se transformou em malfazejos
Palavras ofensivas em ornejos
Lhe causando entejos

As agressões trouxeram arquejos
Seu sangue escondido nos quintalejos
Mais um entre os esquartejos
Desaparecendo em flamejos

Sugestão de música para a Leitura: Born Alone Die Alone – Madalen Duke

Desinteresse Social


Ele recebeu a pena capital
Desenhou um símbolo espiritual
Na palma da mão sepucral
Para disfarçar um distúrbio mental

Um sujeito antissocial
Com um olhar maligno animal
Procurando uma caça banal
Para saciar seu desejo imoral

Sua história cravada em um memorial
No cemitério horizontal
Atrás de uma lista disfuncial
De morte no cecil informal

Seu rosto estampou o jornal
Sua morte com louvor internacional
Mas suas vítimas Mortas no ritual
Cairam no desinteresse social

Herdeira

Nasceu em um barraco de madeira
Filha de faxineira 
Leite barato na mamadeira 
Pé descalço na sujeira 

A fome é sua companheira 
A ilusão é sua conselheira 
Seu futuro é uma ladeira 
Incinerando sonhos na caldeira 

A oportunidade é sorrateira 
Com palavras doces de brincadeira
Sua inocência na esmoleira
Consumida por uma alma embusteira

Da miséria é herdeira 
Ancestralidade traiçoeira
Com a educação pública brasileira
Talvez nunca se torne uma enfermeira 

Estamos Morrendo

Na cama do hospital gemendo
No banco do ônibus sofrendo
Na cadeira do escritório se perdendo
O tempo excedendo

Das próprias vontades se abstendo
Seu tempo precioso vendendo
Para um emprego horrendo
Sua vida dissolvendo

Os próprios limites transcendendo
A saúde se corrompendo
Na esperança do amanhã florescendo
E os sonhos em realidade se convertendo

Da mortalidade correndo
A cada dia esquecendo
Que enquanto estamos nascendo
Também estamos morrendo

Arrependimento


Ela estudou muito para se formar
Uma médica se tornar
Vestir o escudo branco para guerrear
E das garras da morte as almas tirar

Mas os óbitos surgiram para confrontar
Seu desejo insaciável de curar
Até a insuficiência a abraçar
Fazendo seu coração sangrar

Um dia ela teve de olhar
Para os casos terminais e assimilar
Que apesar de muito lutar
Somos finitos e o túmulo está a nos aguardar

Decidiu com cuidado paliativo trabalhar
E descobriu a sabedoria milenar
Que o maior arrependimento que a de predominar
É de não nos aceitar e nossa essência negar

Outra Chance

O cano da pistola apoiar
No topo da cabeça a hesitar
Seus olhos vermelhos a lacrimejar
Sua mente confusa se calar

Seu dedo no gatilho deslizar
A explosão da arma a disparar
Um buraco no crânio a se formar
A morte enfim veio o visitar

Com seus braços frios o abraçar
Em seu ouvido sussurrar
“Seu destino é no túmulo repousar 
Mas hoje te dei outra chance para amar”

Na cama do hospital despertar
O calor humano o confortar
E o sentido da vida enfim encontrar
No rosto dos seus amores a deslumbrar

Nossos corpos

Nossos corpos dançam Na batida do amor
Nossa pele queima com o fervor
Minha língua desce sentindo o sabor
Você se derrama como licor

Seu corpo exala odor de flor
Sua boca me traz o temor
Seus olhos são meu fulgor
Seu corpo arrepia com tremor

Seu gemido como clamor
Desejando meu fogo sem pudor
Com seu jeitinho sedutor
E esse sorriso tentador

Me ame com vigor
Me devore com ardor
Seja meu primor 
Mas não me deixe por favor.

Corpo Sem Vida

Fonte da imagem

As gotas de sangue a deslizar
Sob o asfalto a desenhar
A dor do corpo a agonizar
E a alma desintegrar

Seu erro foi apenas amar
Um futuro de paz esperar
Na esperança da igualdade alcançar
E nunca mais sofrer e chorar

Foi pego na rua a caminhar
Com golpes e facas sua carne rasgar
Sob os punhos e lâminas a suplicar
Para ser livre e para casa voltar

Sua dor não quiseram validar
Sua voz fingiram não escutar
Agora fingem se importar
Sob seu corpo sem vida a repousar.

Vida

A vida é o que acontece entre as cordas do violão
Entre as notas de uma canção
Entre as batidas do coração
Entre os suspiros de uma paixão


É olhar para o passado com compaixão
Ter no futuro uma convicção
Viver o presente com dedicação
E fazer das falhas uma reflexão


É aceitar o amor com gratidão
E o pesar com compreensão
Esquivar se da admoestação
Fazer de si uma inspiração


É equilibrar se na percepção
De que Um momento de Tribulação
Bem como de gratificação
É apenas questão de interpretação.

Inferno visceral

Acorrentado como um animal
Na ilusão de uma liberdade condicional
Projetando uma redoma superficial
Afundando em um emaranhado emocional

O conceito social transversal
Penetrando a rachadura atemporal
De uma mente passional
Rastejando na lama do umbral

Condenação com pena capital
A morte lenta e surreal
Sua alma mastigada por um canibal
Que se esconde na confusão mental

Seu corpo aparentemente integral
Oculta o inferno visceral
Por entre as linhas do sorriso social
Que se perde no predominante olhar imparcial